MANDALAS – UM RECURSO PARA A APROXIMAÇÃO DO SI-MESMO

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MANDALAS – UM RECURSO PARA A APROXIMAÇÃO DO SI-MESMO

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Observa-se que a natureza do ser humano sempre percorreu os caminhos da dualidade, ou seja; o certo e o errado, o bem e o mal, o forte e o fraco, o medo e a coragem, o superior e o subordinado. E na sua impossibilidade maior de compreensão e na ausência de amor, o homem andou sempre a caça de culpados. Aqueles que tem no conflito um ideal são os mesmos que tem olhado a vida apenas por um ângulo, quem sabe o ângulo que lhes convém, ou apenas o limite daquilo que conseguem ver. Essa ambiguidade de opostos, que ao mesmo tempo gera inquietude, impulsiona o homem constantemente para a busca e o contato com a própria essência, uma necessidade de totalidade e integração, que chamamos na Psicologia Analítica, de individuação.
Na busca pela compreensão e ampliação do ser humano, Jung observou as mandalas no mundo oriental, hinduísta ou budista, como instrumento de culto e meditação. Começou a observar que essas figuras apareciam em sonhos de seus clientes, pinturas, desenhos e foi percebendo que tinham um objetivo de estruturação psíquica. Identificou uma relação muito expressiva dos conteúdos apresentados nos sonhos dos clientes que atravessavam crises interiores e os símbolos encontrados nos desenhos mandálicos, percebendo assim que essas imagens designavam uma representação simbólica da psique. Suas formas redondas de uma maneira geral, simbolizavam a integridade natural e, o quadrado, toda tomada de consciência dessa integridade. Para Jung, o contato com a mandala auxiliava a conservação da ordem psíquica, no caso da mesma já existir, ou propiciar o seu restabelecimento caso tenha desaparecido, exercendo uma profunda função criadora e estimulante.
Nos processos psicoterápicos, podem surgir mais espontaneamente quando a psique está em estados dissociativos ou de desorientação, como fator compensador da desordem. Portanto, a mandala surge como uma tentativa de autocura, da integração e da plenitude psíquica.
A estrutura psíquica assemelha-se a uma espiral. Vão ocorrendo situações na vida que se repetem, nas quais conseguimos ou não resolvê-las, e conforme a consciência amplia-se, vai se aproximando da função transcendente e conseguimos então fazer um salto para uma nova espiral, na qual novamente vai acontecer essa energia em forma espiralada de desenvolvimento.
As mandalas são imagens que estão sempre organizadas em volta de um ponto central, fazendo com que o indivíduo organize toda sua energia psíquica para esse centro, como forma de alcançar seu objetivo ou Si-mesmo. Jung utilizou as mandalas também como processo para a própria vida. Após os atendimentos com seus clientes, pintava uma mandala para perceber como estava organizado psiquicamente no final do dia. Mencionava que as mandalas também têm um efeito terapêutico sobre quem as constrói de forma espontânea, visto que as mandalas são instintivas representações da humanidade, uma forte expressão da psique, do Self. A imagem circular para alguns indivíduos que estejam fragmentados psiquicamente, irá compensar a desordem e a perturbação do estado psíquico.
O objetivo de pintar ou construir uma mandala é tranquilizar, restaurar o equilíbrio emocional, aumentando a concentração, a organização. É um instrumento com muitos recursos. A grande psiquiatra Nise da Silveira, observou pacientes psiquiátricos no hospital com graves patologias em que a utilização de mandalas, em seus acompanhamentos, ofereciam a eles excelentes recursos para a reorganização psíquica. Von Franz afirma: "O círculo (ou esfera) como um símbolo do "Self", expressa a totalidade da psique em todos os seus aspectos, incluindo o relacionamento entre o homem e a natureza[...] ele indica sempre o mais importante aspecto da vida: sua extrema e integral totalidade."
Sendo assim, entendemos que a mandala busca uma integração de opostos dentro da pessoa, o centramento como mencionado anteriormente. Bem e mal, certo e errado, fora e dentro, onde no centro de nós temos tudo, amplia-se gradativamente o encontro singular com a própria essência.

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