O EXERCÍCIO DO ÓCIO – Graça Braga Darzi – Consultório de Psicologia e Psiquiatria

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junho 20, 2016

O EXERCÍCIO DO ÓCIO – Graça Braga Darzi – Consultório de Psicologia e Psiquiatria

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" O ócio criativo é a capacidade de eu me entregar a uma música, a uma atividade lúdica, a um filme, a uma peça de teatro, uma situação afetiva em família, e dali extrair idéias, pensar e me entregar a uma criação que pressupõe maior estabilidade, inclusive emocional ".
Domenico De Masi
Em sua dinâmica, o homem se tornou filho das necessidades. Parece que sua natural destinação é a de empregar o seu tempo com a obtenção do necessário para a sua existência e de sua família.
Diante de uma vida consumista e cheia de demandas, se torna um grande fardo ou tormento para o indivíduo não conseguir correspondê-las, pois o vazio ou o ócio lhe traz a sensação de perigo.
Via de regra o homem percebe que a busca de sua felicidade é vivenciada na realização ou concretização de seus projetos, porém sem a vivência do ócio ou a própria existência livre, tornará limitante seu processo de criatividade com a vida. Talvez o maior confronto do ser humano seja consigo mesmo, a convivência com sua própria natureza existencial, sendo o ócio um atributo a nos oferecer para o livre deleite da consciência e da individualidade.
As necessidades ininterruptas de atendimento das demandas externas rende, na vivência do ócio, sensações de tédio e apatia, revelando o quanto o mesmo é destituído de seu real valor, já que não sugere um "passar o tempo", e sim uma vivência de unidade com o próprio ser, com sua própria natureza essencial em potencial.
Podemos considerar que o estresse carrega seu lado positivo, agregador, uma vez que excessivamente pacato ou unilateralizado, o indivíduo sofrerá pelo tédio, pela monotonia, no qual o vazio duradouro se torna tão estressante quanto as demandas de uma vida desenfreada. O nível de estresse, aliado ao estilo de vida das pessoas, determinam o aparecimento de doenças causadas por distúrbios diretos ou indiretos, decorrentes da sobrecarga, principalmente emocional. Quanto menos ameaçado o indivíduo estiver de sua existência, mais autônomo e dono de seu destino será ou tanto menos estará sujeito a tensões e ao estresse. Esse sentimento prolongado afeta as conexões entre os neurônios no córtex pré-frontal, região que regula funções cognitivas como a concentração e a organização.
Entendemos com isso, que o ócio ou a quietação, revela sua extrema importância, não só para garantir o contato existencial e saúde psicológica, mas para manter o bem estar físico. As demandas da vida moderna exigem atenção cada vez mais imediatas com respostas cada vez mais programadas, tornando as pessoas cada vez menos criativas. Nesse desenfreado automatismo de reações, a quietação do ócio reverencia momentos de reflexão, e portanto a manifestação da criação em toda sua unidade e individualidade.
Assim, entendemos que permitir o exercício do ócio é reconhecer a força da criação que existe em cada um de nós, como potencial de revelar, despontar, manifestar, extrair o melhor. É nos surpreender com o nascimento do novo, com maior estabilidade emocional.

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