O outro lado da natureza humana

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O outro lado da natureza humana

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A natureza da alma humana apresenta-se de forma dual. Isso significa que a vida se baseia em um par de opostos. Seria, portanto, impossível pensar na noite sem conceber o dia. Da mesma forma que não se pode sentir a alegria sem conhecer a tristeza, vivenciar o amor só é possível na proporção em que vivenciamos o ódio. Como conhecer a coragem sem nunca ter conhecido o medo? Nessa condição profundas ambiguidades e contradições são o que possibilitam o impulso criativo para a vida.
Se tentarmos unilateralizar nossos sentimentos, negaremos inevitavelmente a nossa totalidade e adoeceremos. Percebemos então que luz e sombra caminham juntas.
Podemos então nesse contexto verificar que nossa alma é sagrada e profana. Todo ser humano é bom e mal, trazendo assim sua inexorável beleza e sua meléfica maldição. C. G. Jung denominou como sombra todos esses aspectos escuros que estão em oposição à luz.
Desde a mais tenra idade, a sombra é feita de pensamentos e emoções, impulsos dolorosos, constrangedores difíceis de aceitar. A criança em sua espontaneidade e totalidade, manifesta sua relação com o meio sendo notificada de suas inconsequências e erros, para que possa se adequar ao novo sistema de valores vigentes. Na medida em que vai percebendo a necessidade de aceitação, lenta e progressivamente vai se envergonhando, escondendo e depositando sua raiva, medos, egoísmos, fraquezas, inseguranças em regiões absolutamente esquecidas da percepção, ignorando-as com o reforço e cumplicidade do meio.
Nesse processo de absoluta escuridão vamos nos afastando, reprimindo nossas imperfeições, negando a nós mesmos uma saída segura para expressar esse lado escuro. Assim o grande perigo é que quanto mais enterrada, negada, desconhecida da consciência, a sombra se avolumará, tornando-se uma força perigosa, sendo capaz de destruir nossas vidas e a dos outros.
Precisamos encontrar uma saída segura para expressar nosso lado sombrio, porque sem conhecimento e trabalho ficamos divididos, uma vez que tudo aquilo que não podemos conviver, não nos permitirá ser inteiros. A negação da sombra nos levará a um sentimento de culpa visto que um dia pertenceram à consciência, necessitando assim retornar à ela.
A sombra também pode manifestar-se no coletivo, gerando, por meio de ações projetivas, preconceitos, intolerâncias, injustiças sociais, e no mal por si só.
De forma consciente ou não, todas as emoções humanas estão em nós, mesmo que tenhamos dificuldades de reconhecer e conceber. Quanto mais reprimimos o que não aceitamos, devolvemos como mecanismos inconscientes de projeção aos outros, ou seja; nossos medos, falta de valor, nossa própria falta de grandeza enxergamos e vivenciamos fora, sem vê-los em nós mesmos. O julgamento, a condenação de partes rejeitadas e por vezes desconhecidas, estão na nossa relação com o mundo. A referência começa em nós.
Todo se humano vive a mesma condição, e no momento em que iniciamos, com nossa sombra, o reconhecimento e acolhimento, passamos a estabelecer novos diálogos e propostas de onde recolocá-la de forma saudável e construtiva em nossas vidas.

Atendimento Psicológico

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1 Comentário

  1. Lea Patricia disse:

    Bela explanação Graça, como sempre, tem me ajudado muito.A natureza humana e seus vários lados.Beijos no coração.

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