RELACIONAMENTOS FUGAZES – Graça Braga Darzi – Consultório de Psicologia e Psiquiatria

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RELACIONAMENTOS FUGAZES – Graça Braga Darzi – Consultório de Psicologia e Psiquiatria

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Talvez a maior angústia existencial do ser humano seja a consciência de sua solidão, pois ela nos coloca diante dos porquês das coisas, as perguntas que fazemos e para as quais não encontramos respostas.
O homem se torna mais autêntico quando aceita a solidão como preço da sua própria liberdade, respondendo nesse exercício pela própria vida, entendendo que a harmonia e paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo. Dessa forma, nesse mesmo contraponto, somos seres sociais, precisamos nos relacionar, e isso por vezes nos da medo. Conviver com as diferenças do outro requer disponibilidade para mergulhos profundos em nós mesmos, visto que é no confronto com o outro que projetamos ou transferimos conteúdos nossos por vezes inconscientes, nos proporcionando possibilidades de auto reflexão, e consequentemente maior acolhimento e entendimento das dinâmicas pessoais e interpessoais.
O sociólogo ZYGMUNT BAUMAN, dizia que vivemos na atualidade tempos líquidos, no qual nada é feito ou vivido para durar. A falta de aprofundamento consigo próprio, seja por medo ou insegurança, ameaça o ser humano nas relações como um todo, revelando a dificuldade de comunicação afetiva. Os relacionamentos se tornaram fugazes, transitórios ou efêmeros, terminam tão rápido quanto começam, mostrando que as pessoas necessitam eliminar problemas cortando seus vínculos, o que na grande maioria resulta na criação irrefletida de novos problemas.
Na prática do mundo virtual e a grande facilidade de se desconectar a qualquer momento, as pessoas já não conseguem manter relacionamentos de longo prazo. A reflexão dessa responsabilidade já não é prioridade. É interessante como as pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo. No caso de "defeito", descarta-se ou até mesmo se troca por versões mais atualizadas. Tornou-se antiquado o romantismo, sendo banalizado pelas pessoas, na qual suas experiências mal elaboradas vão de encontro a profundas frustrações.
A responsabilidade de se amar não existe mais. Inclusive a própria palavra amor é utilizada quando as pessoas não sabem direito o seu significado. Existe uma grande instabilidade nas relações humanas , nos amores, sem saber do que esperar. Sobre isso BAUMAN dizia: " Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis...um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois...Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo ".
Lamentavelmente, os contatos via rede social acabaram tomando o lugar de boa parte das pessoas, refletindo a ausência de comprometimento para disfarçar o antigo medo da solidão. Encarar o que é profundo em nós é bastante difícil. Nem sempre estamos disponíveis, então vivemos superficialmente, nos defendendo, criando vícios e nos adaptando com eles. Experiências dolorosas são importantes de serem ressignificadas, evitando que se tornem padrões de repetição em novas situações, contribuindo para a construção de um novo saber.
O interesse em nós mesmos, o exercício da paciência, da persistência para se reinventar, se consertar, é um grande fato para se relacionar com o outro. Devemos perder o medo do amor, o medo de viver! No encontro com nossa solidão, exercitamos a coragem, a compaixão e o acolhimento, fator indispensável para nos dispormos a compartilhar com sabedoria a existência do outro em nossas vidas.

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