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Ressignificando a Morte

RESSIGNIFICANDO-A-MORTE

A maioria de nós procura não pensar sobre questões ligadas a morte e morrer. Essa fragilidade, deficiência ou dificuldade de conviver com esses temas, atrapalham e impedem que se lide com tranquilidade com perdas naturais que ocorrem inevitavelmente ao longo da nossa vida. 

Apesar da inevitabilidade da morte, ainda existe muito tabu diante deste fato, tendo o silêncio um subterfúgio para melhor lidar com o acontecimento.

Nossa psique revela sinais dessa condição finita da nossa existência. Dentro de cada ser humano, células nascem e morrem a cada momento. É necessário que a flor se extinga para brotar o fruto.

O adeus à infância dá espaço à adolescência e todas as despedidas necessárias para cada nova fase.

Negamos a morte, porém algo dentro do nosso inconsciente parece nos empurrar para uma busca de sentido e significado cada vez maior. De algum modo todos nós já tivemos contato com essa questão.

O que é morrer é impossível dizer, porque nenhum de nós vivos passamos por isso, mas essa é uma realidade que nos aproximamos por meio da morte do outro.

Pessoas morrem o tempo todo, podendo provocar questionamentos, curiosidades, indagações sobre doenças, tragédias, violências por nos remeter a preocupações sociais, políticas. 

Apesar disso de fato nós aproximamos, vivenciamos a morte, a partir do momento que experimentamos a separação, ou quando perdemos alguém de nosso convívio afetivo.

Pessoas das quais estamos vinculadas são especiais e preciosas. 

E por mais que saibamos que um dia vamos morrer e que a qualquer momento podemos perder alguém querido, não se pode imaginar o sofrimento e as consequências que essa perda pode trazer. A morte nos toca de fato, chega muito perto, através do contato de um vínculo. Assim, o luto é um processo típico vivido após a perda de uma pessoa significativa.

A perda impõe a aceitação da morte e de sua irreversibilidade, pois quando perco alguém que é importante para mim, começo a viver um processo de desligamento, de se desvincular daquela pessoa que até então fazia parte da minha vida. Uma nova fase começa para quem fica.

Diante dessa nova situação, a psique irá buscar se entender, experimentando-se morrer através do outro, sendo que essa experiência apesar de dolorosa, é muito importante de ser vivida para que não ocorram traumas ou danos futuros. Dessa maneira, começo a me reconhecer a partir de agora, vivendo sem essa pessoa, o que não é nada fácil no início desse processo.

Neste contexto, quando a morte acontece, emergem questões complexas e muitas vezes mal resolvidas das relações, imprimindo para aquele que sobrevive, evidenciar a saúde ou a doença dessa relação. Sem saber como era viver sem o outro, começam a aparecer reações novas e imprevisíveis que irão abrir espaço para novas dinâmicas, geralmente de muito crescimento, pois nessa profunda dor da separação, acaba-se por compreender um aspecto diferente de si mesmo que não era possível de ser compreendido. 

Assim o indivíduo começa a ter um novo olhar, com mudanças psicológicas, quanto espirituais, implicando em alterações na rotina para sempre.

Apesar de a morte ser o que temos de mais concreto em nossas vidas, junto com a perda da pessoa querida, existe o final de uma fase de vida. É de suma importância vivenciar o luto, desde o choque inicial, o desespero, elaborando a dor, ajustando-se, reposicionando-se em termos emocionais para continuar a viver.

A sensação devastadora da perda requer naturalmente algum tempo para que possa ser processada, nos quais sentimentos de ansiedade, medo, culpa, insegurança, desaparecem aos poucos, para dar lugar à confiança. Assim, toda fase tem seu início e o seu fim.

O prolongamento do processo do luto torna-se patológico quando a dor e a incompreensão da perda se entende de forma improdutiva e sem ressignificação por muito tempo, necessitando de readaptação e elaboração por meio de acompanhamento psicológico.

Como tal, quem prossegue na vida, não tem como apagar as marcas dessa separação. No entanto, ao permitir vivenciar essa ardorosa fase, com compreensão e amor, indubitavelmente não será necessário acrescentar outros sofrimentos igualmente dolorosos, podendo finalmente iniciar um novo reconhecimento de si mesmo, ou o iniciar de uma nova fase de vida.

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