A obesidade e o comer desenfreado – Um olhar simbólico sobre eles.

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A obesidade e o comer desenfreado – Um olhar simbólico sobre eles.

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É notório que um funcionamento não adequado da psique humana pode acarretar profundos prejuízos ao corpo, bem como um sofrimento corporal que altera toda a psique, pois não estão separados, sendo assim, animados por uma mesma vida.
A alimentação tem um papel central na nossa vida física, emocional e social. Nossa alimentação material está estritamente ligada à alimentação básica ou afetiva. Na condição do exagero alimentar desenfreado, busca-se inconscientemente uma forma de tentar preencher um vazio interior ligado à complexidade de sentimentos de abandono e solidão.
Ingerir, digerir e eliminar fazem parte do trajeto alimentar, assim como as noções de fome e saciedade. O primeiro alimento simbólico que rege o período antes do falar é a mãe, assim iniciando e estabelecendo a linguagem do corpo e suas relações.
A expressão de cuidados e limites mantêm uma relação direta com a primeira infância, uma vez que a mãe representa o vínculo com a alimentação e a sobrevivência revelando, dessa forma, a boca como um órgão que simbolicamente se torna veículo de construção das noções do eu e do outro.
O ato voraz e indiscriminado com o alimento, tanto quanto o morder e mastigar, apresentam na ação de ingerir, no primeiro momento, profunda satisfação e prazer, revelando posteriormente um núcleo de arrependimento e impotência.
O envolvimento com a gordura reflete um isolamento que encobre sentimentos de sensibilidade e fraqueza, mas que na sua expressão de tamanho exagerado, revela inconscientemente desejos de poder e de conquista.
Dessa forma, a obesidade e suas consequências revelam nossa ambivalência, ou seja; ao mesmo tempo que desejo ser amado e me aproximar dos outros, receio toda exposição, camuflo minha insegurança e me protejo das críticas e comentários a meu respeito. O engordar desenfreado, é uma armadilha que dificulta a realização de desejos, vivenciados como ameaça.
Qualquer intervenção clínica para o controle da obesidade precisa abrir campo para investigações profundas na história do indivíduo. Isso permite confrontos com questões mais intrínsecas, que sempre se farão presentes e não necessariamente ligadas à essa questão, mas a tudo que vincula à condição existencial do ser humano, pois a transformação necessita ir além do corpo.

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